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Como a Apple pretende abrir o iOS sem perder o controle

Como a Apple pretende abrir o iOS sem perder o controle

Em 2022, o Parlamento Europeu aprovou o Digital Markets Act. A lei versa sobre a concorrência em mercados digitais, e quem vai sentir as consequências são as grandes empresas de tecnologia estadunidenses.

Como a Apple pretende abrir o iOS sem perder o controle (Imagem: Vitor Pádua / Tecnoblog)

Player global no segmento de distribuição de aplicativos, a Apple é uma das impactadas. E, nos últimos anos, cresceu a expectativa de que o DMA levasse a uma abertura sem precedentes no ambiente do iOS.

Desde sempre, a única forma de baixar aplicativos autorizada pela Apple em dispositivos móveis é a App Store. Nenhuma forma de sideloading era permitida. O DMA faria isso mudar, o que muitas empresas e desenvolvedores viam com bons olhos.

No dia 25 de janeiro, no entanto, a Apple divulgou como se adequaria à legislação. Os planos da empresa geraram reações furiosas de quem desejava a total abertura do iOS. A Apple está mostrando que vai ceder só quando não tem saída — e, ainda assim, resistindo ao máximo.

Nova taxa, velhas queixas

De modo geral, é válido dizer que o iOS ficará mais aberto. Porém, como se diz, o diabo está nos detalhes. E a Apple incluiu alguns.

A única forma de baixar aplicativos fora da App Store será por lojas alternativas, que precisaram ser aprovadas pela Maçã. Cada aplicativo presente nessas lojas também passará pelo crivo da Apple.

O desenvolvedor poderá manter seus apps na App Store e também distribuir por lojas alternativas. Porém, ao decidir operar pelas novas regras da UE, ficará sujeito a uma nova taxa, a Core Technology Fee. Este é um dos principais motivos de críticas à Apple.

A CTF atinge principalmente os grandes aplicativos. A partir dela, a Apple estabelece que, após 1 milhão de downloads, recai uma taxa de 50 centavos de euro a cada novo download por usuário. A cobrança será anual.

Com isso, perspectiva é que apps populares, mesmo que optem pela distribuição apenas em lojas paralelas à App Store, deixarão uma boa quantia nas mãos de Tim Cook. Não é à toa que o CEO do Spotify, Daniel Ek, acusa a Maçã de dar uma “aula de distorção” com sua nova política.

iPhone, Safari e App Store passam por mudanças na União Europeia (Imagem: Divulgação/Apple)

A Microsoft pegou um pouco mais leve, avaliando o caso como “um passo na direção errada”. A Epic Games, velha inimiga da Apple quando se trata da política da App Store, também se manifestou com a desaprovação usual (embora já tenha anunciado planos para sua própria loja de aplicativos na Europa).

Com a CTF, mesmo que escapem das comissões atuais de até 30% por transação feitas a partir do ecossistema da Apple, as empresas terão que pagar de outra forma.

A atitude é controversa, tem algo de birra, e ainda pode ser contestada no futuro. É a Apple marcando sua posição: quaisquer que sejam as mudanças exigidas em seu modelo de negócios, ela não as fará de bom grado.

Faturando até mesmo fora da App Store

Há ainda outros aspectos da proposta da Apple que geram protestos de empresas e desenvolvedores. Ressaltamos alguns deles no Tecnocast 322, totalmente dedicado ao tema.

Um dos mais controversos é a cobrança de comissões até mesmo por transações feitas fora da App Store. Os valores podem chegar a 17%.

Algo semelhante vai ocorrer também no mercado americano, vale apontar. O iOS permitirá métodos de pagamento alternativos em decorrência do processo movido pela Epic Games; no entanto, a Apple cobrará até 27% de comissão dos desenvolvedores.

As empresas terão que manter um relatório das transações feitas por plataformas de pagamento independentes e repassar os valores adequados à Apple. Determinar se os repasses estão corretos é um desafio que a própria empresa reconhece.

Outro ponto delicado é a necessidade de um escolha definitiva logo de cara. Desenvolvedores podem optar por simplesmente ignorar as novas regras da UE e se manter sob as normativas atuais da App Store, com taxas de variam entre 15 e 30%.

Tela de instalação de loja de apps no iOS 17.4 (Imagem: Reprodução/Apple)

Por outro lado, quem quiser se aventurar pelo mundo do iOS aberto não pode voltar atrás. Uma vez que a escolha é feita, o desenvolvedor não tem a opção de voltar às regras antigas. É pegar ou largar.

Esse aspecto exige bastante cuidado por parte do desenvolvedor. Não seria possível sequer fazer uma experiência antes e depois retornar, por exemplo.

A exigência certamente gerará receio em quem ficou tentado a testar as novas regras, e é encarada como uma forma de pressão para que o desenvolvedor mantenha tudo como está.

Uma questão de controle

A resposta da Apple ao DMA deixa claro mais uma vez que a empresa não quer abrir mão do controle que tem sobre sua plataforma. O Android tem uma abordagem um pouco diferente, permitindo lojas alternativas Google Play desde sempre. A Apple, por sua vez, optou pelo fechamento.

Como levantamos no Tecnocast 322, esse controle é um dos motivos pelos quais muitos usuários preferem a empresa. Uma experiência bem definida, onde tudo é milimetricamente pensado pela Apple, tem apelo para muita gente. As vendas de aparelhos refletem isso, assim como a oferta de aplicativos.

Um argumento muito utilizado pela Apple para defender sua posição é o da segurança. Marketplaces independentes de apps seriam uma entrada para softwares maliciosos e conteúdo nocivo nos celulares de milhões de pessoas. No comunicado sobre a adequação ao DMA, a Apple reforça essa linha de raciocínio.

O outro lado aponta que a empresa deveria dar liberdade ao usuário de baixar aplicativos de onde quiser. E também aos desenvolvedores de utilizar as plataformas de pagamento que preferirem, incluindo aí opções próprias.

Tim Cook, CEO da Apple (Imagem: Divulgação / Apple)

Dado o tamanho do negócio da App Store, dirão os críticos, a proibição seria uma forma de prender os fornecedores (desenvolvedores) em sua loja, já que dispensar essa opção implicaria numa perda considerável de faturamento e público.

Essas discussões estão nem longe de encerrarem. Uma vez que o DMA não determina como exatamente os mercados digitais devem se abrir, a Apple colocou sua opção de abertura na mesa. No entanto, no conceito da Apple, um iOS aberto ainda é um tanto fechado.
Como a Apple pretende abrir o iOS sem perder o controle

Como a Apple pretende abrir o iOS sem perder o controle
Fonte: Tecnoblog

Spotify acusa Apple de “aula de distorção” com regras para sideloading

Spotify acusa Apple de “aula de distorção” com regras para sideloading

Quanto o Spotify paga aos artistas? Existe valor fixo por reprodução? (Imagem: Vitor Pádua)

O Spotify e seu fundador, Daniel Ek, acusam a Apple de distorcer a Lei de Mercados Digitais (DMA, sigla em inglês) da União Europeia para liberar o sideloading em seus dispositivos. No X/Twitter, Ek afirma que a Apple criou uma distorção para se adequar à legislação europeia. O CEO relata que a proposta da Apple para sideloading força os aplicativos a seguirem na App Store.

No dia 25 de janeiro, a Apple divulgou que autorizará a instalação de aplicativos fora da App Store a partir de 7 de março — mas só para países membros da União Europeia.  No entanto, a big tech criou um sistema para seguir cobrando dos desenvolvedores mesmo que seus apps sejam baixados por meios não oficiais. Entre uma das cobranças está a taxa de tecnologia, que custa 0,50 Euros (R$ 2,70) por download ou atualização para aplicativos para aplicativos com mais de 1 milhão de downloads.

Spotify solta o verbo contra a Apple

Daniel Ek publicou diversas mensagens no X/Twitter sobre a política de sideloading anunciada pela Apple. Em um dos tweets, Ek afirma que se manteve cético quando a big tech anunciou que iria se adequar à DMA. Ele ainda relata que a Apple usa do seu tamanho para ser maior que a Lei.

Daniel Ek, CEO do Spotify, acusa Apple de distorcer a legislação europeia (Imagem: Reprodução/X/Twitter)

“A reação deles à DMA é uma masterclass sobre distorção. A Apple apresenta uma escolha ‘simples’: fique com os termos antigos ou aceite um modelo complexo que parece atrativo na superfície, mas têm potencial de gerar taxas ainda mais altas. Checagem de realidade: a alternativa da Apple é não dar alternativa para alguns dos apps mais populares. Ela apenas reforma os velhos termos e a taxa de 30% que eles queriam proteger”
— Daniel Ek, CEO do Spotify

Para explicar melhor a reação de Ek, vamos relembrar outros pontos de cobrança anunciada pela Apple. Além da taxa de 50 centavos de Euros, a big tech seguirá cobrando uma comissão entre 17% e 10% (dependendo do tipo de app) e taxa de 3% por cada pagamento feito usando o sistema de pagamento da Apple — apps instalados pelo sideloading poderão usar a App Store para processar compras.

Ek destaca que essas políticas de cobrança gerariam prejuízos para o Spotify. O CEO explica que, com uma base de 100 milhões de usuários usando iOS na UE, as taxas fariam o custo de aquisição de clientes subir dez vezes — isso no cenário “dos sonhos” em que todos eles saíssem da App Store.

Apple faz o que a lei não proíbe

Porém, por mais que o Spotify, a Epic e outras grandes empresas reclamem dessas diretrizes da Apple, a verdade é que a DMA dá brechas para isso. A lei tem entre seus objetivos impedir a criação de monopólios em mercados digitais, mas não regula como será o modelo de negócio do sideloading. A DMA, no artigo 6(12) declara que as condições precisam ser justas — e é aqui que Apple, UE e devs vão quebrar a cabeça.

Ek não saiu “ileso” das suas declarações. Nas respostas, alguns usuários relembraram que as diretrizes do Spotify também não são justas. Entre os pontos levantados no X/Twitter está o baixo valor pago por reproduções e que o Spotify fica com 50% da receita de anúncios veiculados durante um podcast — esta forma de monetização será encerrada no próximo mês.

Com informações: TechCrunch
Spotify acusa Apple de “aula de distorção” com regras para sideloading

Spotify acusa Apple de “aula de distorção” com regras para sideloading
Fonte: Tecnoblog

Spotify libera acesso às músicas salvas na Playlist para o Futuro

Spotify libera acesso às músicas salvas na Playlist para o Futuro

Spotify lança segunda “fase” da Playlist para o Futuro, permitindo que você veja a que fez em 2023 e crie uma para 2025 (Imagem: Vitor Pádua/Tecnoblog)

Resumo

O Spotify liberou o acesso à Playlist para o Futuro, que permite aos usuários criar listas de músicas que estão ouvindo e acessá-las no ano seguinte.
Iniciada em 3 de janeiro de 2023, a iniciativa mostra evolução ou manutenção do gosto musical ao longo do tempo.
A plataforma incluiu “desafios” na criação da playlist, incentivando a escolha de músicas que remetem a amigos, a uma pessoa favorita ou para levar a uma ilha deserta.
 

O Spotify liberou na quinta-feira (4) o acesso à Playlist para o Futuro, iniciativa lançada em 3 janeiro de 2023, que permitia aos usuários criar uma lista com as músicas que eles estavam ouvindo no momento. Essa playlist só seria aberta no ano seguinte. Agora, além de abrir a lista de 2023, os usuários podem criar uma playlist para 2025.

A proposta da Playlist para o Futuro é que os usuários vejam se o seu gosto musical mudou ou se manteve durante o ano. Se você é daqueles que escuta os mesmos artistas sem parar ano após ano (aqui é Skank e Pearl Jam desde 2016), talvez a brincadeira não tenha muita graça para você.

Porém, o Spotify criou alguns “desafios” na criação da playlist. Por exemplo, você pode adicionar alguma música que lembre dos amigos, uma canção que te faz lembrar da “sua pessoa favorita” ou música para levar para uma ilha deserta. Assim, você (e eu) que esqueceu velhas músicas ou estagnou em ouvir novas pode tentar sair da zona do conforto. Afinal, há um exercício de ligar músicas a pessoas ou momentos.

Recuperando e criando a Playlist para o Futuro

Para recuperar a playlist feita em 2023, você precisar abrir o app do Spotify (Imagem: Reprodução/Spotify)

Tanto para recuperar ou criar uma nova Playlist para o Futuro é necessário acessar o Spotify no aplicativo para celulares e ir no menu “Playlist para o Futuro”. Caso você tenha feito a lista em 2023, pode recuperá-la clicando em “Resgatar Playlist”. A opção de recuperar a lista é válida até o dia 31 de janeiro.

Já para criar uma nova playlist, é só clicar em “Criar outra pro ano que vem”, que está embaixo do botão para recuperar a lista de músicas de 2023. A ferramenta do Spotify também permite que você escolha um lugar para “guardar” essa playlist. Entre as opções estão panela de arroz, ninho de passarinho e até uma lixeira — claro, tudo de mentirinha.
Spotify libera acesso às músicas salvas na Playlist para o Futuro

Spotify libera acesso às músicas salvas na Playlist para o Futuro
Fonte: Tecnoblog

Governo do Uruguai recua e Spotify vai continuar operando no país

Governo do Uruguai recua e Spotify vai continuar operando no país

Spotify enviou e-mail a usuários garantindo que fica no Uruguai (Imagem: Vitor Pádua / Tecnoblog)

O Spotify anunciou que continuará oferecendo seu serviço de streaming no Uruguai. A decisão foi tomada após o governo local assinar um decreto que garante que a empresa não precisará pagar duas vezes pelas músicas da plataforma.

Em e-mail, a plataforma pede que os usuários uruguaios que assinam o plano Premium mantenham seus dados atualizados. Para quem usa o Spotify Free, nada muda.

Retomando cenas dos capítulos anteriores: no fim de novembro, o Spotify havia anunciado que deixaria de operar no Uruguai em fevereiro de 2024.

O motivo era uma mudança na lei de direitos autorais. O novo texto tinha dois trechos que, dependendo da interpretação, poderia obrigar o Spotify a pagar os artistas duas vezes.

Um dos trechos dizia que os intérpretes poderiam exigir pagamento por obras difundidas ou retransmitida pela internet e redes digitais. O outro definia que os artistas teriam direito a remunerações justas quando suas gravações são reproduzidas publicamente.

Agora, um decreto do governo uruguaio “resolveu” a questão. No novo texto, os responsáveis pela remuneração são as partes com quem os artistas têm contratos — ou seja, selos, gravadoras, editoras e outras formas de representação. Por isso, o Spotify não será obrigado a pagar em duplicidade os artistas.

Governo uruguaio subestimou reação do Spotify (Imagem: Matt Rubens/Flickr)

Governo uruguaio reconheceu “erro político”

Segundo o El País, foi o próprio presidente uruguaio, Luis Lacalle Pou, quem articulou o texto inicial com os deputados governistas, respondendo a reclamações de artistas locais, que disseram não receber pagamentos justos por sua obra. No entanto, a reação do Spotify surpreendeu.

A publicação afirma que, internamente, o governo uruguaio considerou que foi um “erro” político não dimensionar a reação do Spotify à nova lei de direitos autorais.

Desde o anúncio da saída, o governo uruguaio passou a tentar resolver a situação. De acordo com o El País, houve uma reunião entre representantes do poder local e do Spotify antes da assinatura do decreto, para acertar os detalhes do novo texto.

Com informações: Spotify, Exame, El País Uruguay
Governo do Uruguai recua e Spotify vai continuar operando no país

Governo do Uruguai recua e Spotify vai continuar operando no país
Fonte: Tecnoblog

Spotify demitirá mais de 1.500 funcionários em terceiro layoff do ano

Spotify demitirá mais de 1.500 funcionários em terceiro layoff do ano

Spotify comunicou nova rodada de demissão nesta segunda-feira (Imagem: Vitor Pádua/Tecnoblog)

O Spotify realizará mais uma demissão em massa neste ano — a terceira de 2023. Daniel Ek, CEO e fundador do serviço de streaming, divulgou o novo layoff nesta segunda-feira (4) em um email enviado para os seus funcionários e depois publicado no site do Spotify. É esperado que mais de 1.500 empregados sejam demitidos.

No comunicado, Ek revela que 17% dos funcionários serão desligados, até terça-feira, nesta leva de demissões. Podemos identificar o tempo dessa medida por uma parte do texto. O CEO do Spotify explica que o RH realizará reuniões com os empregados afetados até o fim do próximo dia.

Spotify alega economia lenta e aumento de custos

Mesmo com resultado positivo no último trimestre, Spotify realiza terceira demissão em massa no ano (Imagem: Emerson Alecrim/Tecnoblog)

Entre os motivos apresentados por Daniel Ek para a nova leva de demissões está um cenário de econômico mais lento e aumento dos custos — o que explica o aumento de preços nos planos. No comunicado, o CEO reconhece que um layoff de 17% após a divulgação do resultado positivo no último trimestre é uma surpresa.

Ek explica também as métricas mostram uma maior produtividade, mas que a empresa está menos eficiente. “Hoje ainda temos muitas pessoas se dedicando a suporte ao trabalho e até ajustando seus trabalhos ao invés de estar contribuindo com oportunidade de real impacto”, diz o CEO no comunicado.

Em janeiro, o Spotify demitiu 600 funcionários. Em junho, o streaming realizou um corte de 200 empregados na divisão de podcasts. Agora, com a nova leva de demissão, o quadro de funcionários sai de 9.241 (dados divulgados no último resultado trimestral) para pouco mais de 7.700.

O Tecnoblog entrou em contato com o Spotify para saber se o layoff afetará os quadros da empresa no Brasil. A matéria será atualizada se houver um pronunciamento da empresa.

Com informações: The Verge
Spotify demitirá mais de 1.500 funcionários em terceiro layoff do ano

Spotify demitirá mais de 1.500 funcionários em terceiro layoff do ano
Fonte: Tecnoblog

Spotify só vai pagar royalties para músicas com mais de 1 mil reproduções

Spotify só vai pagar royalties para músicas com mais de 1 mil reproduções

Spotify (Imagem: Vitor Pádua / Tecnoblog)

O Spotify anunciou suas novas regras para pagamento de royalties. Uma das principais mudanças diz respeito a músicas executadas poucas vezes. A plataforma não vai mais pagar artistas por canções que tiverem menos de 1 mil reproduções em uma janela de 12 meses.

Além disso, o serviço de streaming mudou a forma de remunerar gêneros chamados “funcionais”, como ruído branco, sons de natureza e efeitos sonoros, entre outros. Agora, estas faixas precisarão ter, pelo menos, dois minutos para gerar royalties.

O Spotify também pretende combater streaming artificial, quando robôs colocam músicas para tocar com o único intuito de gerar dinheiro para empresas.

A companhia diz que as mudanças vão liberar US$ 1 bilhão em royalties nos próximos cinco anos, tanto para artistas famosos quanto para novatos.

Músicas pouco reproduzidas geravam centavos

A mudança que mais chamou atenção é a do fim da remuneração para canções pouco populares. Segundo o Spotify, o impacto deve ser mínimo para os artistas.

A empresa diz que uma faixa com menos de 1 mil reproduções gera meros US$ 0,03 mensais, em média. Apenas 0,5% dos streams são em músicas assim.

Músicas pouco populares não serão mais remuneradas (Imagem: Lee Campbell/Unsplash)

Como as gravadoras geralmente exigem um mínimo de US$ 2 a US$ 50 para retirada, e as taxas bancárias podem variar entre US$ 1 e US$ 20, esse dinheiro acaba esquecido. Por outro lado, essas pequenas quantias somadas chegam a US$ 40 milhões por ano.

O Spotify diz que não vai embolsar esta grana. Com a mudança, os centavos que eram destinados às músicas com menos de 1 mil reproduções serão realocados no pool de royalties. Ou seja: quem tem músicas acima desse limite deve ganhar um pouquinho a mais.

Combate aos sons “funcionais”

Outra mudança servirá para o Spotify não dar dinheiro demais para os gêneros “funcionais”: ruído branco, barulho de chuva, ASMR, sons de máquinas, e outros do tipo.

Nos últimos anos, muitos agentes mal-intencionados se aproveitaram da plataforma para ganhar dinheiro com isso. Eles faziam upload de várias faixas “funcionais” de 30 segundos (mínimo para ganhar royalties) e criavam playlists de horas de duração com estas faixas.

Exemplo de playlist que será combatida pelas novas regras (Imagem: Reprodução/Tecnoblog)

Assim, um usuário dava centenas de streams sem perceber, e o dinheiro ia parar no bolso de quem fez pouquíssimo esforço.

A partir de 2024, o Spotify só vai pagar royalties para faixas funcionais com, pelo menos, dois minutos de duração. Além disso, a empresa promete pagar um valor inferior ao que paga para músicas.

Com isso, a plataforma quer economizar nos pagamentos a esse tipo de produção e redirecionar o dinheiro aos artistas de verdade.

Detecção de fraudes

Por fim, a terceira mudança no esquema de pagamento de royalties do Spotify é que a empresa vai cobrar gravadoras e distribuidoras por faixa quando o streaming artificial for detectado.

“O Spotify é capaz de combater o streaming artificial assim que ele acontece na nossa plataforma”, diz o texto, “mas é melhor para a indústria se os agentes mal-intencionados forem desincentivados de fazer upload”.

Concorrência fez diferente

As mudanças feitas pelo Spotify foram bem recebidas por distribuidoras e selos independentes. Dois grandes nomes da indústria, porém, não se manifestaram no anúncio feito pela plataforma: Universal Music Group e Warner Music Group.

Coincidentemente ou não, ambas trabalharam com a Deezer em um novo modelo de pagamento de royalties, chamado “artista-cêntrico”, que tem diferenças importantes para o que o Spotify fez.

Deezer (Imagem: Gabrielle Lancellotti/Tecnoblog)

Com as novas regras, a Deezer vai pagar o dobro de royalties para artistas com até 1 mil reproduções mensais, desde que elas venham de 500 ouvintes diferentes.

A empresa também vai dobrar os royalties de faixas com engajamento ativo do público — aquelas que o usuário digita na busca para ouvir, por exemplo.

Por fim, a Deezer teve uma posição radical contra as faixas “funcionais”: ela removeu todo esse tipo de conteúdo e colocou seus próprios sons. Assim, não é necessário pagar royalties.

Com informações: Spotify, Music Ally, Music Business Worldwide, Variety, TechCrunch
Spotify só vai pagar royalties para músicas com mais de 1 mil reproduções

Spotify só vai pagar royalties para músicas com mais de 1 mil reproduções
Fonte: Tecnoblog

Spotify vai usar IA do Google para criar recomendações de podcasts e audiobooks

Spotify vai usar IA do Google para criar recomendações de podcasts e audiobooks

Spotify e Google Cloud são parceiros desde 2016 (Imagem: Vitor Pádua / Tecnoblog)

O Spotify anunciou que está ampliando a parceria com o Google Cloud. O popular serviço de streaming de música usará grandes modelos de linguagem (LLMs) para analisar os gostos dos usuários e sugerir recomendações de podcasts e audiobooks.

A plataforma foi uma das pioneiras ao usar IA para construir algoritmos de recomendação de músicas. Conforme as informações divulgadas nesta quinta-feira (16), a intenção é repetir o feito usando LLMs para conteúdos não-musicais.

Spotify aposta em podcasts como nova fonte de geração de receitas (Imagem: André Fogaça/Tecnoblog)

Os LLMs, usados em chatbots como o ChatGPT da OpenAI e o próprio Google Bard, são treinados com grande quantidade de dados. São esses “conhecimentos” que permitem que as IAs possam gerar textos e outros tipos de conteúdo.

Atualmente, o Google Cloud trabalha com diferentes versões de modelos de linguagem de larga escala. Por exemplo, o PaLM 2, Codey, Imagen e Chirp são alimentados com textos, códigos, imagens, áudio e vídeo.

Embora não tenha revelado qual LLM será usado, o co-presidente do Spotify Gustav Söderström demonstrou otimismo em relação à parceria com o Google. As duas empresas trabalham juntas desde 2016, quando o streaming passou a usar data centers da big tech.

“A evolução da nossa tecnologia foi acompanhada pelo compromisso do Google Cloud em construir a melhor plataforma para a execução dos nossos produtos e impulsionar ainda mais a inovação com as capacidades emergentes da IA generativa”, disse o executivo.

DJ X do Spotify usa IA para montar playlists (Imagem: Divulgação/Spotify)

Spotify e a Inteligência Artificial

O Spotify experimentou vários recursos de inteligência artificial em 2023. Em agosto, a plataforma de streaming liberou a versão beta da DJ X, uma IA que faz curadoria de playlists e explica as escolhas como uma locutora. Infelizmente, o Brasil ficou de fora dos testes.

Além disso, o serviço de streaming anunciou uma parceria com a OpenAI em setembro. A plataforma adotou uma tecnologia que “redubla” podcasts para diferentes idiomas com a intenção de expandir o público dos programas.

De acordo com a Reuters, o Spotify tem estudado formas de aumentar os lucros ao ampliar os conteúdos geradores de receitas. Isso inclui os podcasts e os audiobooks. Então, a plataforma tem realizado diferentes ações para alavancar o formato.

Com informações: Reuters
Spotify vai usar IA do Google para criar recomendações de podcasts e audiobooks

Spotify vai usar IA do Google para criar recomendações de podcasts e audiobooks
Fonte: Tecnoblog

Spotify: app para TVs ganha design reformulado e modo escuro

Spotify: app para TVs ganha design reformulado e modo escuro

Spotify lança novo visual do app para TVs (Imagem: Divulgação/Spotify)

O Spotify anunciou nesta quinta-feira (9) uma atualização no design do aplicativo para televisões. O novo visual do app visa deixar os principais atalhos e conteúdos recomendados para o usuário logo na abertura do programa. Todavia, a interface da execução de discos e podcasts continua igual.

O objetivo do Spotify com essa atualização é integrar as experiências nos dispositivos mobile (smartphones e tablets) e televisões, mantendo um design mais próximo entre esses eletrônicos. E ao subir boa parte dos atalhos para o topo, o usuário tem acesso mais rápido aos seus conteúdos favoritos.

Novo visual do Spotify traz mais atalhos no topo do app

Spotify traz mais atalhos no topo da tela (Imagem: Lupa Charleaux/Tecnoblog)

O novo design do app do Spotify para TVs traz os principais atalhos logo no topo da tela — e com mais botões. No total, ao abrir o aplicativo, o usuário verá oito atalhos. Os botões incluem os artistas e álbuns ouvidos recentemente, como mostrado na imagem de divulgação, novos episódios de podcasts e conteúdos baseados no seu gosto.

O Spotify explica em seu blog oficial que essa alteração no visual do aplicativo para TVs tem como objetivo deixá-lo mais parecido com o app para mobile. Nos nossos testes (obrigado, Lupa), o novo visual está seguindo essa proposta desejada pelo Spotify. E o maior número de atalhos e sugestões também é bem-vindo.

Modo escuro no app do Spotify para televisões (Imagem: Divulgação/Spotify)

Outras mudanças do novo visual são a estreia do modo escuro, ícone de perfil ativo visível e lista de músicas reformulada. No modo escuro, além de deixar diminuir o brilho do player, o app mostrará menos recursos.

Já a exibição dos ícones de perfil visa deixar a troca de perfis mais ágeis, além de facilitar a visualização de qual é o usuário ativo no momento. Com a reformulação na lista de música, os ouvintes terão mais controle sobre a fila, podendo gerenciá-la e acessando mais canções de uma só vez — antes disso, o usuário via apenas a música seguinte.

Com informações: Engadget
Spotify: app para TVs ganha design reformulado e modo escuro

Spotify: app para TVs ganha design reformulado e modo escuro
Fonte: Tecnoblog

Spotify faz teste e tira letras de músicas de quem não assina o Premium

Spotify faz teste e tira letras de músicas de quem não assina o Premium

Você gosta de acompanhar a letra das suas músicas favoritas e até cantar junto? E se você tivesse que pagar por isso? O Spotify está testando tirar as letras da versão gratuita do serviço de streaming.

Spotify (Imagem: Vitor Pádua / Tecnoblog)

A mudança foi vista por alguns usuários desde terça-feira (3) e apareceu no subreddit dedicado à plataforma. Os versos não estavam mais abaixo do player de música na versão mobile do app. No lugar deles, um aviso dizendo “Curta as letras com Spotify Premium”.

Segundo a empresa, isso é só um teste. “Nós frequentemente conduzimos vários testes. Alguns deles ganham espaço para se tornar uma experiência de usuário mais ampla; outros servem como um aprendizado importante”, disse CJ Stanley, chefe de comunicações globais do Spotify, ao site The Verge.

Sem especificar os detalhes, o executivo afirmou que o teste envolve um número limitado de usuários em dois países.

Spotify ainda precisa dar lucro

É bem provável que o Spotify não vá muito longe nesse teste. Mesmo assim, a empresa já vem limitando alguns recursos a quem paga. Ela fez isso com o DJ, ferramenta que usa inteligência artificial para criar playlists.

A resposta para esse tipo de decisão pode estar nos resultados financeiros. A empresa nunca fechou um ano com lucro desde 2009, quando começam os dados levantados pelo site Statista.

Uma maneira de ganhar mais dinheiro foi bem óbvia: cobrar mais caro. No último aumento de preços, o Spotify Premium subiu de R$ 19,90 para R$ 21,90 mensais.

A assinatura não inclui alguns recursos oferecidos pelos concorrentes, como o áudio lossless. Apple Music, Amazon Music, Deezer e Tidal têm áudio sem perdas nos pacotes com preço similar ao Spotify Premium. Enquanto isso, o Spotify não sabe quando vai oferecer essa qualidade de áudio devido aos custos extras que ela traz.

Com informações: The Verge
Spotify faz teste e tira letras de músicas de quem não assina o Premium

Spotify faz teste e tira letras de músicas de quem não assina o Premium
Fonte: Tecnoblog

Inteligência artificial do Spotify que cria playlists parece um Flow com chatbot

Inteligência artificial do Spotify que cria playlists parece um Flow com chatbot

O Spotify começou nesta terça-feira (8) a liberar o beta do “DJ X”, uma ferramenta feita com inteligência artificial que cria playlists, para mais 46 países, totalizando 50 nações com o recurso — mas ainda não no Brasil. O DJ X parece uma proposta “moderna”, sugerindo músicas e falando o motivo das escolhas. Mas a propaganda da ferramenta mostra basicamente o Flow do Deezer com uma IA falante.

Spotify libera beta DJ “inteligente” em mais 46 países (Imagem: Vitor Pádua / Tecnoblog)

Seguindo uma crescente das marcas de incluir um X no nome (vide a rede social anteriormente conhecida como Twitter e o Real Digital, batizado de Drex), o Spotify batizou o DJ/a inteligência artificial de X. A falta de esforço em pensar em um nome mais criativo contrasta com a criatividade de anunciar um recurso antigo como algo inovador e com IA.

DJ do Spotify é feito com inteligência artificial, mas o que de fato é IA?

No vídeo de divulgação (veja abaixo) e na publicação em seu site oficial, o Spotify anuncia que o DJ X é uma “inteligência artificial guia que conhece você e o seu gosto musical que pode escolher o que tocar para você”. Acredito que todo mundo que usou o Flow do Deezer ou as próprias rádios do Spotify já usou o “DJ” — vamos lá, ele é IA ou o algoritmo aprimorado?

No Twitter, digo, no X, há algumas pessoas relatando a sua experiência com as recomendações do DJ feito com inteligência artificial. Eu não assino o Spotify — e o recurso nem foi lançado por aqui —, mas entre os elogios e relatos engraçados (já mostro), o DJ X parece uma repaginada no algoritmo de recomendação, somando com a playlist de “músicas que você deixou escapar” e um chatbot para explicar a escolha da música que tocará — e com os erros de uma IA.

No exemplo abaixo, um usuário relata que a “inteligência artificial” contextualizou o ano de 2021 para tocar uma música da época. “Levando você para 2021, quando Olivia Rodrigo e Round 6 eram tão grandes quanto essa ‘pedrada’ (tradução livre de “banger”)”, disse o DJ X antes de tocar o hit “Ain’t No Pleasing You”, de Chas & Dave, lançada em… 1982.

DJ do Spotify contextualiza o ano de 2021, mas recomenda música de 1982 (Imagem: Reprodução/Tecnoblog)

Em outro relato, um assinante do Spotify comenta uma situação que lembra muito os problemas do Flow, recurso do Deezer que é praticamente idêntico ao DJ, mas não fala. No caso abaixo, o usuário elogia a ferramenta, mas comenta que ela tocou dez músicas do musical Hamilton em sequência — as vezes eu escuto uma musiquinha da Shakira por conta própria e quando vou para o Flow, ele me joga uma sequência de músicas em espanhol.

Assim como o Flow do Deezer, DJ do Spotify “enfia goela abaixo” músicas com uma determinada característica (Imagem: Reprodução/Tecnoblog)

O próprio anúncio do Spotify e os relatos nas redes sociais passam uma sensação de que o termo inteligência artificial foi usado mais para “atrair o público” e vender como algo inovador, não como um algoritmo de recomendação. E a estratégia parece estar dando certo. Há usuários declarando a vontade de testar o recurso.

As IAs são bem mais práticas que NFTs e o metaverso, mas as três tecnologias tem algo comum: todo mundo quer surfar na onda.

Com informações: The Verge e Spotify
Inteligência artificial do Spotify que cria playlists parece um Flow com chatbot

Inteligência artificial do Spotify que cria playlists parece um Flow com chatbot
Fonte: Tecnoblog